Trigo produzido no cerrado de Uberaba tem mercado garantido

O secretário municipal do Agronegócio, José Geraldo Borges Celani, fala com entusiasmo da produção do trigo de cerrado no município de Uberaba, da qual a Prefeitura é parceira. “Estamos avançando ano a ano, tanto em área plantada como na qualidade do nosso grão”, argumentou.

Segundo o titular da Sagri, as lavouras de trigo ainda estão sendo plantadas, com o período se estendendo do final de março até meados de abril. “Diante do atraso no plantio e colheita da soja, a expectativa do Conselho Gestor de Previsão de Safra é de que produtores poderão optar pelo plantio do trigo, em detrimento, por exemplo, do sorgo e do milho da safrinha. Com isto, o grupo formado por Emater, Sagri e Embrapa, dentre outros, estima que a área plantada do trigo de cerrado pule de seis mil hectares, no ano passado, para 7.500 hectares agora em 2021. Este total, somando trigo de sequeiro e trigo irrigado”, destacou ele.

José Geraldo Celani acredita que já na próxima reunião virtual do Conselho, agendada para o dia 15 de abril, essa estimativa tende a ser confirmada ou não. “É que, no momento, os técnicos estão indo a campo fazer a coleta dos dados, apurando quem plantou e a área plantada”, relatou o secretário.

Um desses produtores é o paulista radicado há quase 40 anos em Uberaba, João Angelo Guidi. O produtor é pioneiro no plantio de trigo cerrado em Uberaba, feito ocorrido em 1986. Agora em 2021, em sua fazenda próximo à Comunidade da Palestina, há uns 20 dias, Guidi plantou 180 hectares de trigo irrigado e, dias depois, mais 170 hectares do trigo sequeiro, totalizando 350 hectares de área plantada com o grão neste ano.
 
O produtor disse que o plantio de trigo é uma ótima opção para a safra de inverno, além de funcionar como cobertura do solo para o plantio direto. João Guidi acrescentou que o trigo é uma cultura vantajosa, com a produção já comercializada com os moinhos. “É que o nosso trigo de cerrado produz uma farinha de altíssima qualidade, com grande aceitabilidade pelos principais moinhos”, frisou ele.  

E quem pode falar sobre isso com propriedade, das qualidades do trigo de cerrado, é o pesquisador da Embrapa, com doutorado em Genética e Melhoramento de Plantio, Vanoli Fronza. Ele é o melhorista responsável pelo Núcleo Avançado de Trigo Tropical da Embrapa, instalado em 2012 em Uberaba, numa parceria com a Epamig e Prefeitura Municipal. “Com o laboratório, intensificamos as pesquisas e conseguimos desenvolver variedades de trigo de sequeiro, bastante adaptadas ao cerrado. A cultivar BRS 404 (lançada comercialmente em 2015), por exemplo, tem proporcionado produtividade de 4 mil quilos por hectare”, destacou o pesquisador.

Como a maior demanda dos moinhos é a panificação, Vanoli ressalta que a Embrapa Trigo Cerrado e seus parceiros passaram a dar preferência para desenvolver grãos que atendam esse interesse. "Assim, trabalhamos um trigo cujas caraterísticas genéticas do glúten, aliadas ao clima mais seco do cerrado, vêm de encontro às exigências da indústria do pão. De maneira que hoje podemos dizer, numa comparação com o mercado internacional, que o nosso trigo não deixa nada a desejar ao importado”, arrematou Vanoli Fronza.

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