POR QUE OS ESPECIALISTAS ESTÃO ESTUDANDO O NOSSO INTESTINO?

Alergista explica a relação desse órgão com toda a nossa saúde e algumas patologias

Médicos de diversas especialidades estão se dedicando ao estudo de um dos órgãos mais importantes e, ao mesmo tempo, um dos mais negligenciados do corpo humano. E é pouco provável que você acerte de cara que estamos falando do intestino. Isso mesmo, o intestino, também chamado de nosso “segundo cérebro”.

Uma das especialistas que tem estudado e compartilhado com seus pacientes e seguidores este conhecimento é a médica alergista e imunologista, Juliana Lima Ribeiro. Para ela, “este é um novo olhar para o paciente, para a Medicina Funcional, que nada mais é do que trabalhar de uma forma a fazer com que nosso organismo funcione de maneira plena, com tudo em ordem”.

Juliana começa explicando sobre a importância de nossa microbiota, a antigamente chamada flora intestinal. “Desde o Projeto Genoma, em 2007, começou-se a descobrir a importância de todos os microorganismos que existem em nosso corpo, principalmente em nossa microbiota”, diz ela, acrescentando que “temos três vezes mais bactérias no organismo do que células e isso não é ruim, mas tudo precisa estar em equilíbrio”.

Muitas dessas bactérias estão justamente no intestino que, quando com sua permeabilidade perfeita, agem favoravelmente ao nosso corpo. “Essa permeabilidade é como se fosse uma parede, que protege o nosso organismo. Mas, se essa parede tem 'furos', essas bactérias, alimentos tóxicos, proteínas alergênicas e outros microrganismos presentes ali acabam ‘vazando’, caindo na corrente sanguínea e indo a órgãos à distância e podem surgir os processos inflamatórios, alergias, doenças autoimunes e muitos outros problemas”, explica Juliana.

Alguns problemas de saúde como diarreias frequentes ou constipação intestinal, aftas, má digestão, cefaleias recorrentes, dificuldade de perda de peso, dor de estômago, flatulência, podem até parecer comuns para a grande maioria das pessoas. Mas sob essa ótica estudada pelos especialistas, não é bem assim. “Um organismo saudável não deve apresentar tais sintomas a não ser que algo não esteja bem. Isto precisa ser olhado pois a causa pode estar neste órgão tão importante e que tem relação com nossa alimentação e estilo de vida”, afirma a médica.

Ela diz ainda que outras reações e doenças, não diretamente relacionadas ao trato gastrointestinal, também podem ter relação com o intestino. E cita: cansaço, desânimo, depressão, dificuldade de concentração, obesidade, acne, dermatite, sinusite, rinite, candidíase, queda de cabelo, unhas fracas, enxaqueca, distúrbios do sono, resistência à insulina, doenças hepáticas, distúrbios cardiovasculares, disfunções tireoidianas e doenças autoimunes. “Muitas vezes, para aliviar os desconfortos o paciente mal orientado acaba fazendo uso indiscriminado e contínuo de antiácidos, laxantes e medicamentos como os chamados ‘prazois’ (os inibidores da bomba de prótons), além do uso desorientado de analgésicos, descongestionantes nasais, antidepressivos, ansiolíticos, anorexígenos, tranquilizantes e bebidas energéticas”, esclarece ela.

Juliana finaliza convidando outros especialistas para que, trabalhando em conjunto, possam oferecer o melhor caminho para os pacientes. “Se um médico trata as alterações no metabolismo da glicose por exemplo, podemos juntos tentar reduzir a medicalização e evitar que o diabetes se instale neste paciente melhorando sua saúde intestinal e o funcionamento de seu pâncreas. E é por isso que eu tenho compartilhado bastante este assunto, a fim de levar o que há de mais novo na medicina para a classe médica e outros profissionais de saúde, e também o grande público, pois assim, podemos oferecer um novo olhar sobre os problemas de saúde”, disse ela.

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