Paradoxo

Mozart Jr.
Mozartjr2011@gmail.com

Vivemos horas abruptas... os mais desavisados podem não ter percebido, mas há um discurso de ódio no ar.
Não há espaço para o meio termo, a razoabilidade, ou você está de um lado da corda imaginária desse cabo de força ou você não existe.

As correntes ideológicas contrárias, se analisadas a fundo, são muito semelhantes, diferindo apenas nas cores das acusações.
Até ontem a imprensa era instrumento democrático legítimo, já que mostrava os podres de outra corrente, hoje, se a mesma imprensa ousa levantar um tapete onde possa haver um pequeno cisco... é vendida ou algo do gênero.

Só são bons os “isentos" que entendem que tudo de antes era lixo e agora, tudo é acerto, ainda que pareça ir contra a lógica.
Em meio a essa guerra ideológica disfarçada de moralização, tudo é permitido, armas usadas ao longo da história por governantes que não deixaram seus nomes nos anais como líderes que deixassem saudades, voltam a ser usadas, apenas maquiadas com outras nuances.

A reflexão desse momento passa por leituras atentas sobre caminhos do fascismo e até do nazismo, assim como passeia também pelo populismo, tão bem retratado em episódios recentes de nossa história, ou será que a tática de destruir reputações não parece familiar aos mais argutos?

Alguns se perguntam; de que lado está a razão, outros questionam se razão e paixão, no seu sentido mais visceral, podem estar juntos em algum dos lados...
A percepção fica cada vez mais clara no sentido de que, como dizia o poeta, “alguma coisa está fora da ordem"...

Seguimos em frente, vamos aos tropeções em nossa própria incapacidade de alcançar o sentido exato do momento, revezando, como nação, entre: a prática do cego que guia outro cego e a do menino que grita, primeiro de forma irresponsável e jocosamente e depois de forma desesperada e inútil: “é o lobo, é o lobo...”

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