Lacunas Econômicas nos Estacionamentos Rotativos de Uberaba

Vitor von Silva*

 

Primeiramente eu gostaria de deixar claro que esta não é uma crítica à Prefeitura Municipal de Uberaba (PMU) ou um protesto à Câmara Municipal de Uberaba (CMU), mas uma crítica ao atual estilo político que é tido como padrão em Uberaba. Em segundo lugar, quero dizer que, tanto a PMU quanto a CMU, precisam de uma reforma política drástica, sobretudo nas análises que antecedem as deliberações ou começar a realizar tais analises, pois Uberaba, bem como Minas Gerais, está em estado de emergência econômica e não suporta erros ou equívocos bárbaros advindos do legislativo e do executivo, como os Estacionamentos Rotativos (ER).

 

*Eu sou o Vitor von Silva, sou um ativista liberal, formado em Transações Imobiliárias pelo IBRESP e atualmente estudo Letras na UFTM de Uberaba. Sou líder do Movimento UFTM Livre, que há alguns anos vem sendo a única oposição à esquerda dentro dos muros da Universidade Federal. Também sou o Coordenador Local da organização internacional Students For Liberty Brasil, que atua em diversos países formando líderes com raízes libertárias, visando um futuro com mais amor, paz e liberdade. Se há um fenômeno econômico que pesquisei a fundo ao longo dos anos que estudei e trabalhei no setor de incorporação imobiliária e construção civil, esse fenômeno é “A Bolha Imobiliária/ Financeira Brasileira”. E são os conhecimentos relacionados a este estudo que me garantem uma visão privilegiada dos equívocos insalubres que se aglomeram na regulamentação dos Estacionamentos Rotativos (ER) de Uberaba.


Qualquer tipo de bolha financeira, e isso não é uma questão de foro peculiar, tem uma razão: inflações e lacunas nos faturamentos fiscais. No caso do setor imobiliário brasileiro, a bolha começou quando o governo Lula abriu as portas dos bancos e, sem qualquer embasamento econômico, liberou crédito à população, de todas as formas possíveis, que mais tarde deixou de ser pago. O resultado disso foi várias famílias perdendo todo o dinheiro investido e suas propriedades sem direito a qualquer indenização, uma injustiça social, pois a culpa foi do governo, que proporcionou uma oferta infundada sem qualquer demanda popular. Nos Estados Unidos da América, em meados de 2006, uma bolha financeira, que tinha fortes relações com empréstimos associados às hipotecas, estourou e proporcionou ao país um dos piores períodos de recesso da sua história. O elemento a ser considerado idêntico nos dois casos (e em todos os outros) é o fato de haver uma lacuna no faturamento, e é essa lacuna fiscal que proporciona todos os males à sociedade. Preste atenção na imagem abaixo, onde três aquários são comparados em duas situações diferentes que envolvem os ER.

 

No primeiro caso nós podemos observar como a ausência de diálogo com a população é prejudicial nos fenômenos econômicos que sucedem as deliberações, mas, não bastaria o executivo ou o legislativo simplesmente verificarem a opinião popular por si mesma, visando justificar a implantação dos ER, pois esta também poderia apresentar um parecer sentimental ou ideológico e não econômico, como, por exemplo, o argumento de “necessidade de democratizar o uso das vagas”. O que os poderes deveriam ter feito é terem verificado se a população  TINHA  CONDIÇÕES  FINANCEIRAS  E  TAMBÉM  O  INTERESSE  DE  PARTICIPAR  da

medida de arrecadação de impostos, pois sem demanda é completamente esdrúxula a realização de qualquer oferta. Ora, se nós não entendemos errado, o que a prefeitura viu foram vários clientes comprando nas lojas e, sem mais nem menos, decidiu diminuir o tempo de compra destes mesmos clientes. Só quem vive ou já viveu de vendas, assim como eu vivi por 6 anos, sabe que um “sim” ou um “vou comprar” é uma decisão que foge de qualquer imposição, pelo contrário, imposições, sejam elas internas ou externas, nas interações entre vendedor    e   cliente,    são   completamente   ruins   para    as   vendas.    Imagine    o  cenário:

 

  • Olá! Posso ajudar? – Disse a vendedora da loja.

 

  • Sim, claro! Mas eu deixei o meu carro estacionado e o tempo está acabando, eu tenho que ir resolver isso, mas eu volto! – Respondeu Dona Cleide, que, ao chegar no carro viu que tinha recebido uma multa, ficou possessa e jurou nunca mais retornar àquele comércio que lhe trouxe um prejuízo!

 

Fundamentação teórica

 

Em artigo do Instituto Mises Brasil, Frédérick Bastiat, economista francês, nos diz que nos faturamentos e arrecadações financeiras, existem processos que são visíveis, como os fatos de pagamentos e recebimentos, mas nos diz que também existem processos que são invisíveis e que quase sempre funcionam como uma reação em cadeia. Como leio a seguir:

 

  • Primeiro o movimento nas lojas caem, pois ninguém quer ou pode pagar pelos estacionamentos, depois as lojas amentam os preços e demitem funcionários, para controlar as contas. Em seguida, os preços dos produtos oscilam, buscando um equilíbrio que é utópico, pois nós já sabemos que a raiz da disparidade é a existência de ER. As pessoas desempregadas não terão dinheiro para pagarem suas contas, assim os recolhimentos de impostos da prefeitura diminuem e a lacuna na arrecadação começa a crescer. Em seguida, as lojas fecham e os impostos que elas recolhiam também param de ser pagos, isso faz a lacuna triplicar, pois os recolhimentos de CNPJ são muito maiores do que os de CPF. E é aí que entra a sociedade. Qualquer falta de dinheiro para pagar contas da prefeitura é o mesmo que faltar de dinheiro nos bolsos de um cidadão uberabense que precisa pagar as suas contas particulares, pois quem banca a prefeitura é o cidadão uberabense e não o contrário. Ou seja, toda e qualquer dívida que a prefeitura tem, sobretudo as dívidas que ela mesma cria, é o cidadão que terá que pagar. Ora, em Estado de Emergência Econômica nenhum imposto simplesmente deixa de ser pago, mas é repassado para outra pessoa ou grupo pagar, em caso de diminuição fiscal. E, por óbvio, no final das contas, se isso não for impedido, quem vai pagar será o cidadão uberabense que não foi ouvido lá atrás. Mas, o que é ruim ainda pode ficar muito pior, pois a outra forma da prefeitura controlar as dívidas do município é o cancelamento de serviços públicos. Se não

 

tem atendimento, não tem gasto. Dessa forma, graças a uma política pública impensada, alguns cidadãos uberabenses terão que procurar no setor privado por serviços e atendimentos que antes eram “gratuitos” (pagos com o dinheiro de impostos). E isto demostra a gravidade do problema dos Estacionamentos Rotativos, e demostra de forma categórica que NÃO SE TRATA APENAS DE DEMOCRATIZAR AS VAGAS NAS RUAS, isto soa completamente comunista, o que está em jogo é a economia da cidade.

 

Pela nossa liberdade, Vitor von Silva.

 

 

 

 

 

 

 

 

Publicidade

Anuncie