13 de outubro – Dia Mundial da Trombose


Campanha global visa ampliar a conscientização; TEV é a causa de morte evitável mais comum nos hospitais

 

O tromboembolismo venoso (TEV) é tido, pela comunidade de saúde, como a causa de morte evitável mais comum no paciente hospitalizado. Para aumentar a conscientização sobre a importância da análise de risco e da prevenção, o dia 13 de outubro foi definido como Dia Mundial da Trombose em um movimento global repleto de eventos educacionais.

Liderada pela Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia (Internacional Society on Thrombosis And Haemostasis – ISTH), a campanha trabalha para reduzir as mortes causadas pelo TEV e está contribuindo com a meta global da OMS (Organização Mundial da Saúde) de reduzir, até 2025, em 25% as mortes prematuras causadas por doenças não transmissíveis. Ao ano, cerca de 10 milhões de casos de TEV são observados no mundo.

“É importante que todos saibam que esse é um problema de saúde pública. E a boa notícia é que existe prevenção para o TEV – medicamentosa e mecânica. Já que prevenir o tromboembolismo é uma prática de segurança, o IBSP apoia esse tipo de iniciativa”, comenta doutor José Branco, fundador do Instituto.

Além de trabalhar pela educação continuada de médicos, enfermeiros e profissionais de saúde a respeito das melhores práticas para prevenir o TEV, é preciso orientar a população sobre o que é a doença e quais os principais fatores de risco. Pacientes empoderados podem assumir uma postura mais proativa, contribuindo para melhores desfechos. “Se tiver uma internação programada, o paciente deve questionar seu médico sobre o risco de tromboembolismo perguntando, inclusive, o que ele fará para prevenir a doença”, comenta doutor Branco.

Por que 13 de outubro – A data foi acertada em homenagem ao aniversário de Rudolf Virchow, médico alemão reconhecido como pai da patologia moderna e da medicina social e responsável por elucidar o mecanismo do tromboembolismo. A tríade de Virchow é uma teoria criada pelo profissional que define que a propagação de um trombo se dá por anomalias no fluxo sanguíneo, na parede do vaso sanguíneo e nos componentes do sangue.

 

Prevenção dentro do ambiente hospitalar – Pacientes com mobilidade reduzida ou que sofreram trauma nos vasos têm mais chances de desenvolver coágulos sanguíneos, o que faz da internação hospitalar prolongada um dos fatores de risco para o surgimento de TEV. Segundo publicado no site oficial da campanha (www.worldthrombosisday.org), até 60% dos casos de tromboembolismo ocorrem dentro dos 90 dias de hospitalização (1).

Prevenir o surgimento desses coágulos que podem levar à morte é competência da unidade hospitalar que preza pela segurança do paciente. Para tal, é preciso avaliar os indivíduos reunindo informações sobre cada caso. As informações mais importantes a serem coletadas incluem a idade do paciente, a presença de determinadas doenças crônicas, e mesmo as condições agudas da internação. Estes dados são avaliados no contexto de diferentes escalas de avaliação propostas para caracterizar o grau de risco que o paciente tem para TEV.

Aqueles considerados como de maior risco devem receber alguma medida de profilaxia, seja um anticoagulante em dose profilática ou ainda um dispositivo mecânico de compressão pneumática.

 

Onde ocorre a falha – Entender, dentro do processo de análise e prevenção de TEV, onde podem ocorrer falhas é garantir a segurança do paciente. Ausência de protocolo ou falta de padronização da prevenção de TEV são pontos críticos. Além disso, falhas também podem ocorrer quando:

– O paciente muda de grau de risco e não é feito o ajuste de profilaxia (acréscimo ou suspensão);
– A profilaxia é perdida ou alterada na transferência para o ambiente perioperatório;
– A profilaxia correta é solicitada, mas não administrada;
– O paciente não é direcionado à deambulação precoce;
– Os fatores de risco evitáveis não são manejados da maneira adequada;
– A profilaxia é interrompida na alta mesmo quando o paciente tem indicação de profilaxia estendida.

 

Aplicativo – Risco e Prevenção de TEV – Desde 2017, o Proqualis (entidade que está vinculada ao ICICT/Fiocruz e conta com o financiamento do Ministério da Saúde, através da Secretaria de Atenção à Saúde) mantém em funcionamento um aplicativo para avaliação do risco de TEV. Disponível para celulares tanto Android quanto iOs, o app pode ser utilizado por profissionais de saúde como um excelente guia para a melhor segurança do paciente.

De utilização gratuita, o aplicativo fornece o teste de Caprini por meio de um formulário a ser preenchido pelo profissional. São solicitados dados como sexo e idade do paciente, além de questionamentos sobre cirurgias realizadas no último mês, veias varicosas, histórico de doença inflamatória intestinal, doença pulmonar, cateter venoso central, entre outros. Ao preencher todos os dados, o profissional recebe um resultado que aponta o escore e o risco de TEV.

O sistema também oferece recomendações para prevenção cirúrgica após o profissional definir o tipo de cirurgia entre cirurgia geral ou abdominal pélvica, torácica, craniotomia, de coluna, ortopédica, cardíaca ou grande trauma; e detalhes para gerenciamento perioperatório de terapia antitrombótica.
 

 

Referências:
(1) World Thrombosis Day – Know Hospital-Associated VTE

 

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