A tragédia no CT do Flamengo é menor do que a da morte da alma humana

"Na conversa da sociedade, três quartos das perguntas feitas e das respostas dadas são para magoar um pouco o interlocutor; é por isso que muita gente tem sede da sociedade: ela confere a todos o sentimento de sua força"

Da obra: Humano demasiado humano de  Friedrich Nietzsche

 

Dói, dói na alma ver a tragédia que aniquilou o sonho de jovens que buscavam um futuro melhor,

Assim como dói saber que essa mesma tragédia ceifou a vida de pessoas que ali estavam trabalhando para ajudarem nesse sonho e para manterem os seus próprios vivos...

Dós muito, imaginar o caminho que um pai ou uma mãe percorreram até chegar para o reconhecimento de seus filhos, que até ontem, eram a esperança de um futuro melhor e maior, para eles e para os seus...

Tudo isso é muito doloroso.

Mas dói mais, muito mais,

Ver que a alma humana está morta faz tempo,

Mais retorcida que as estruturas atingidas pelo incêndio no centro de treinamento do Flamengo, mais escura que os escombros deixados pela tragédia,

Assim está essa alma de pessoas que ainda usam o terreno livre e fértil das redes sócias, para destilar seu veneno e tripudiar em cima de uma tragédia, uma tragédia que não tem clube,

Mas, “não posso perder a chance de zoar ao adversário...”

Dói, dói ver que um clubismo colocado acima da vida humana, faz com que pessoas achem motivos para fazer chacota com a dor de famílias, de semelhantes seus...

“Perdoa-os pai, eles não sabem o que fazem...”

Assim caminha a humanidade, olhando para seu próprio umbigo e não percebendo onde se perdeu.

Dói, dói muito pensar que aqueles sorriso e aquelas brincadeiras tão esperançosas, não irão voltar pra casa, não irão mais ligar para os pais e contar os planos,

Mas dói, dói muito mais, saber que existem pessoas que não conseguem entender  o tamanho dessa dor e acham que alguém irá rir de suas piadas... dói mais ainda imaginar que vai haver plateia para esses acéfalos...

 

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