As peças estão sendo movidas - Mozart Jr.

Após o final do primeiro turno das eleições para governador, Minas Gerais viu atônita o fenômeno Zema aparecer como o fato novo da política, por pouco o candidato do partido Novo, que é neófito na política, não ganha no primeiro turno.

Enquanto todos esperavam uma disputa entre Anastasia e Pimentel, confrontando PSDB e PT mais uma vez, por pouco os dois velhos “companheiros” da política mineira não foram alijados da disputa.

Pois bem, passado o susto, eis que Zema, que veio como mineirinho, comendo pelas beiradas e quase não foi incomodado, agora virou o alvo principal dos ataques nas redes sociais.

A quantidade de fake news atribuídas ao candidato mostra bem que a briga será nesse tom.

Apesar de a todo  momento sua campanha vir a público desmentir alguma coisa que está sendo replicada nas redes sociais, as coisas continuam brotando.

Por aqui, onde se esperava que a presença de Marcos Montes fosse um salvo conduto para Anastasia, a coisa se revelou exatamente o contrário, não só em Uberaba, mas na região toda.

Agora, ao invés de se buscar o debate de propostas, de planos para se tirar Minas Gerais do buraco em que foi colocada pelos últimos governos do estado, prefere-se o ataque pessoal.

A vida do empresário começa a ser devastada e histórias antigas, algumas que já haviam inclusive sido devidamente esclarecidas, são levantadas como novidades e jogadas no mundo do vale tudo do WhatsApp.

Chama atenção um fato em Uberaba, pessoas ligadas ao atual grupo que governa a cidade, inclusive funcionários, estão passando boa parte do dia dedicada a essa prática, a de atacar Zema nas redes sociais.  Aí ficam duas questões: a credibilidade dos questionamentos pelo interesse envolvido e a principal, ganham para isso?

Avaliando o plano de governo dos dois candidatos, o que se vê é alguma semelhança em algumas posições, como a questão da previdência dos funcionários públicos de Minas Gerais, nenhum dos dois fugiu ao tema que é espinhoso e ambos foram contundentes em dizer que sem mudanças a conta não irá fechar, mesmo que as redes sociais só tenham destacado a fala de Zema, os dois, responsavelmente, concordam nesse tema.

Pela própria característica do NOVO, as ideias mais liberais de Romeu Zema chocam alguns a principio, a novidade assusta mesmo aqueles que apoiam cegamente Jair Bolsonaro para presidente, e cujo “posto Ipiranga”, Paulo Guedes tem ideias muito mais próximas de Zema do que do conservadorismo, acham que a proposta do candidato do NOVO é muito arrojada para Minas Gerais.

A verdade é que Zema tocou em pontos que causam arrepios a muita gente, como a questão da privatização, as mesmas pessoas que cobram um Estado mais eficiente, não querem entender, e aí não falo de Zema, mas do país, que para se tornar eficiente, o Estado precisa  diminuir sua influencia em áreas que não são de sua alçada.

Alguns temas propostos pelo candidato realmente precisam de maiores esclarecimentos, tentamos contato com a campanha para ouvir sobre pontos que causam tanta celeuma, como a educação e a situação já castigada dos professores do Estado, que precisam entrar na justiça para terem seus direitos reconhecidos, como o piso salarial por exemplo. Acredito que seria de bom tom, Zema se reunir com o sindicato da categoria e deixar claro sua posição sobre esses pontos.

No caso de Anastasia, a classe ligada a segurança pública gostou da sua gestão e de seu mentor, Aécio Neves, e ainda que isso também seja contraditório para quem apoia Bolsonaro, apoiar alguém ligado a Aécio, as benesses do governo tucano para a classe ainda são memórias frescas, os professores não trazem uma recordação tão boa do governo tucano por sua vez.

A verdade é que as peças estão dispostas no tabuleiro desse xadrez que é a política, e aí restam pouco mais de três semanas para os mineiros decidirem se mudam tudo e dão a chance para uma nova história ou se preferem a segurança, ainda que não muito confortável, daquilo que já conhecem...

Esse quadro já tem reflexos na política da terrinha, além do prestigio de Marcos Montes ter saído arranhado da disputa, ligou também o sinal de alerta pelos lados da prefeitura, a sucessão do prefeito Paulo Piau está logo ali e a julgar pelas escolhas dos eleitores nessa eleição, qual será a cartada que o grupo do prefeito terá para apresentar a esse eleitorado sedento de novidade? Ou será que teremos por aqui também uma terceira via?

A oposição saiu pior do que Marcos Montes, Lerin terá que se reinventar e quiçá aparecerá como candidato a uma das cadeiras do legislativo municipal, Tony,obteve até um bom numero de votos na cidade, mas ai fica a pergunta: seguirá ao lado do grupo ou se apresentará como a opção da oposição?

A eleição de Franco também deixou algumas questões em aberto, afinal, Jammal optou por apoio a outro candidato e não confirmou sua força na transferência de votos, como sai dessa? Até outro dia ele parecia ser uma das opções para o executivo, será que manteve essa condição? Não é o que circula nos bastidores...

Como eu disse as peças começam a ser movidas e resta saber quem dará o xeque mate?

 

 

 

 

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