Para onde estamos indo? - Mozart Jr.

Você já acordou algum dia e se deu conta que havia medo no que o esperava lá fora? E não estou falando da insegurança em que estamos vivendo não, estou falando nas relações com as pessoas do nosso convívio.

Hoje agredir o outro por não pensar exatamente igual a você se tornou uma coisa natural para muita gente, chamar os outros de imbecil, burro entre outros termos passou a ser natural e tudo apenas porque a pessoa não pensa como a outra quer que ela pense...

Certa feita, eu ministrava um curso sobre atendimento para alguns jovens e em um momento de relaxamento, promovíamos uma interação com a turma, nesse dia, falávamos de vários assuntos e receios era um deles, então um dos alunos me perguntou:

Do que você tem mais medo?

Eu respondi a ele: Da ignorância.

Não, eu não estava falando do que as pessoas erroneamente chamam de ignorância, que é a falta de cultura de alguns, eu falava da ignorância mesmo e ela campeia por aí mesmo com pessoas que possuem PHD.

A ignorância é a coisa mais perigosa do mundo, é por ela que se condenaram tantos por tentarem mostrar que as verdades estabelecidas não eram tão verdades assim, foi ela que apedrejou aqueles que não comungavam do pensamento “certo”, é ela que ainda alimenta o ódio daqueles que atacam quem crê em Deus de forma diferente da ensinada na sua igreja, é ela que considera uma cultura inferior simplesmente porque é uma cultura diferente da sua.

Sim,  a ignorância é algo para ser temido e nos tempos atuais ela tem ganhado força e se alimentado dos ódios às diferenças, as pessoas estão cada vez menos tolerantes com o direito de individualidade de cada um. São tempos difíceis.

Tem dia que observo os pequenos gestos das pessoas e quando vejo alguém vencer a si mesmo e dedicar, que seja minuto da sua existência, para fazer algo bom ao outro, confesso que me emociono.

Talvez sejam os anos pesando e por isso eu esteja mais emotivo, mas a verdade é  que quando eu era bem jovem, certa vez escrevi :

Quando me perguntam o que acho da humanidade, respondo que gostaria de ter uma casa bem grande para recolher cães na rua...

Pois bem, hoje, apesar de a humanidade continuar tão má ou talvez ate tenha piorado, eu consigo olhar para o semelhante e ao menos tentar me colocar no lugar dele, e tentar entender que dores?  Que magoas? Que dramas porque passou que o tornaram amargo?

Hoje eu sei, ninguém é triste porque é melhor do que ser alegre, nem de mal com a vida por prazer, as dores de cada um pertencem a cada um.

Na verdade, esse texto é apenas para dizer que talvez, se dermos chance aquela pessoa que pensa diferente da gente, de sentar conosco, falar de outros assuntos que não seja apenas o que nos divide, quem sabe, não podemos nos religar, quem sabe não podemos recomeçar?

Onde nos perdemos?

 

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