Palestra reforça importância do ensino da cultura afro-brasileira e africana nas escolas

A Biblioteca Pública Municipal Bernardo Guimarães receberá palestra nessa sexta-feira (23), às 14 horas, para professores e comunidade em geral. O tema trabalhado será a Lei Federal 10.639/2003 que instituiu nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares a obrigatoriedade do ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.

A palestra faz parte das atividades do Curso de Formação das Relações Étnicos Raciais. A iniciativa surgiu através da Casa do Educador e conta com a parceria da Fundação Cultural de Uberaba/Coordenadoria de Políticas de Igualdade Racial, em conjunto com a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

A chefe da Seção de Formação Continuada da Casa do Educador, Maria Abadia Vieira da Cruz explica que o trabalho contínuo dá resultados. “Como fruto destescursos temos a construção de uma escola acolhedora e conhecedora da história da maioria de seus alunos, construindo práticas de fortalecimento e empoderamento de comunidade de matriz africana.”

O objetivo do dia 23 é promover diálogo sobre a aplicabilidade da Lei10.639/2003. Aprogramação conta também comapresentação cultural dos alunos do Centro Municipal de Educação Infantil Diego José Ferreira Lima e da Escola Municipal Adolfo Bezerra de Menezes. Será feita demonstração dos esforços realizados em 2018 com a comunidade estudantil em relação à cultura afro brasileira. “Sabemos que este tema deve ser trabalhado o ano todo como porta aberta para refletirmos a situação histórica real de um povo que foi escravizado e não que é escravo, mudando assim todo o entendimento”, afirma Maria Abadia.

A palestra  com o professor da UFTM e historiador, Marcelo de Souza Silva abordará  a história até a criação da lei, falando especialmente sobre Zumbi dos Palmares e as lutas dos negros contra a escravidão. “Para que possamos ser uma nação desenvolvida precisamos reconhecer a história, a cultura e a relevância do povo afro-brasileiro na construção do país como ele é hoje, além de inverter a noção, racista, de que os negros são inferiores ou que sua contribuição é menor.”

Marcelo esclarece que a lei chamou atenção para as lutas e ajudou a incrementar os debates sobre a questão racial no Brasil. “Mas ela sozinha não resolve enquanto não houver uma melhoria de fato nas condições sociais, no ensino, no lazer, em suma, na cidadania dos pretos brasileiros, considerados há séculos, inferiores ou, quando muito, cidadãos de segunda classe e sem direitos plenos”.

O historiador elenca os aspectos positivos da Lei 10.639/2003 como a elevação da autoestima e combate aoracismo. “Ensinar aos jovens negros que eles fazem parte de uma rica cultura, de um povo que foi escravizado, mas que nunca deixou de lutar pela liberdade, é motivo para que os estudantes possam se ver como cidadãos dignos de respeito, passando a conhecer melhor os seus direitos ebuscar que eles sejam efetivados. Para a sociedade, a importância é o combate ao racismo: quebrar estereótipos raciais, acabar com preconceitos estéticos (roupas, cabelos dos negros), promover a igualdade entre as etnias e valorizar as diferenças entre todos, mas com respeito.”

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