O coquetel Molotov e o complexo de vira-lata - por Mozart Jr

Os recentes acontecimentos envolvendo ataques a ônibus, carros de empresas públicas e órgãos governamentais, trouxe á tona um debate acalorado sobe a questão da segurança pública.

Se alguma coisa ficou clara nesse episódio, alem da capitalização por parte de alguns para criar pânico cada vez maior, foi sem dúvida a ineficácia de nossos governos para lidar com o caso.

Aliás o “governo” petista do estado tem gasto fortunas com campanha s para vender a história de que Minas investe em segurança...

Omissão é o termo mais adequado e menos ofensivo que consigo encontrar para descrever a impressão passada à população. As reações estiveram muito aquém do esperado pela população que é quem paga o pato nessa história.

Mas vamos a alguns pontos interessantes, quando o deputado Antonio Lerin anunciou o reforço, tardio, de equipes de Belo Horizonte para combater a onda de vandalismo ordenada pelo PCC, vimos que nos próprios pronunciamentos de autoridades, ficava claro a falta de sintonia entre as partes, o deputado chegou a ser desmentido por pessoas ligadas a segurança pública...

Um detalhe que passou despercebido para aqueles que deram vazão ao nosso complexo de vira lata, expressão criada  pelo genial Nelson Rodrigues em relação ao brasileiro, no nosso caso foi uma lástima pelos grupos de pessoas politizadas, a queixa era dependermos da vizinha Uberlândia e suas tropas de reforço.  Este é o ponto. Na verdade, quem viria dar o reforço, garantem fontes seguras, seria sim a ROTAM ou o Batalhão de Operações Especiais, porém, um passarinho soprou no ouvido dos especialistas lá da capital o seguinte: “Olha, se mandarmos a ROTAM para lá, estaremos assinando confissão de culpa, afinal, fomos nós quem tiramos, não só a ROTAM mas também a Cia de Missões Especiais sob a justificativa de que Uberaba não precisava desse tipo de policia...”

O episódio alimenta também o complexo de vira lata por que traz a lembrança e ela circula violentamente pelo território fértil das redes sociais, do caso Rodoban, que ainda é a maior mácula na história da segurança de nossa cidade.  Vale lembrar que naquele episódio essas questões estiveram em alta e foram usadas para ataque político, o que com certeza será muito capitalizado nessa situação de agora...

Observando essas discussões nas redes sociais, resolvi escrever esse texto, quando se falou em destruir um projeto que estava pronto, o do quartel da Cia de Operações Especiais de Uberaba, com a definição até do local, situação motivada por questões pessoais de um comando que deixou a vaidade falar mais alto, algumas pessoas lutaram para sensibilizar, prefeito, vereadores, deputados e o que obteve de resposta foi no máximo, daqueles que não contribuíram para a não efetivação do projeto, foi omissão.

Para quem não se lembra, todos os deputados de Uberaba foram procurados para tentar intervir e aqueles que simplesmente não se omitiram, trabalharam contra o pedido, por mais que hoje o neguem.

Estou voltando a esse tema apenas para ilustrar  uma outra situação: um espertalhão, travestido de vereador, tentou fazer marketing com essa história há pouco, aí eu pergunto: onde estava esse moço quando tudo aconteceu? Por acaso ele morava fora de Uberaba? Quantas vezes usou o microfone da Câmara Municipal para levantar a voz contra o que foi feito?

Pois bem, na época, falei que Uberaba se apequenava e em qualquer outro episódio parecido com o da Rodoban teria que pedir socorro a Uberlândia, esse tempo chegou e o que sobrou para os “bairristas” da cidade? Ficarem quietinhos, sem contar que não há um deles que levantou a voz contra o descaso do atual governo do  Estado com a cidade há muito tempo.

Apenas para me fazer entender, vejam a que ponto chegamos; atacam os ônibus, recolhem os ônibus. Mas e a população que depende de ônibus? Ah, isso é detalhe, ou em outras palavras, se virem...

Segurança? Planejamento? Bandidos apontaram armas para motoristas e passageiros, para motoristas de caminhão de coleta de lixo, para funcionários do Codau, sabe o que decidem os experts em segurança? Põe viatura da GM escoltar ônibus...  Se houver um ataque vão usar taser? Ou bastão? Ouvi de fonte segura, PM recusaram a presença de GM junto com eles dentro de coletivos, e a justificativa é obvia; que apoio poderiam dar em uma emergência sem ter uma arma? Se tornariam sim, mais um alvo a ser protegido, realmente, não parece ter “gente” decidindo certas coisas, a vida das pessoas não está sendo levada em conta.

O que nos resta? Apoiar a PM que com todas as dificuldades, toda falta de retaguarda por parte desse desgoverno, está cumprindo seu papel, arriscando suas vidas no confronto direto, e conseguindo resultados, vários infratores foram presos, mas focarem presos, aí já é com a justiça...

Bandidos menores, a impressão que fica, após as últimas noticias sobre esse país, é que esses bandidos aí são os menores, perto daqueles que estão lá de terno e gravata e nos roubaram os sonhos, os sonhos de um país sério, de uma cidade tranquila, de um governo sem corrupção, lá sim estão os grandes bandidos e são eles que todos os dias alimentam a criação dessas figuras que ora usam o incêndio para chamar atenção.

 

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