Lente evita transplante de córnea

Lente de contato escleral para corrigir ceratocone e outras alterações corneanas está diminuindo os transplantes de córnea no país.

O transplante de córnea está em queda no Brasil. Relatórios da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) mostram que em 2013 o número de procedimentos foi 11,8% menor que em 2012. Caiu de 15.281 para 13.744 transplantes. A boa notícia é que o levantamento do Ministério da Saúde mostra que a fila de espera também diminuiu. No Distrito Federal, estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Pernambuco a fila zerou simultaneamente pela primeira vez.

Segundo o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, esta redução vem sendo alavancada por terapias cada vez mais avançadas. “Este é o caso da lente escleral que pode evitar não só o transplante como o implante de anel corneano. Hoje é alternativa menos invasiva para quem não consegue boa correção visual com óculos ou lente de contato convencional”, afirma.

Ele conta que foi a melhor alternativa que encontrou para vários pacientes. “Usando lente escleral já evitei o transplante de uma adolescente com ceratocone avançado”, avançado. Em outro paciente que tinha uma cicatriz na córnea a correção visual com a lente escleral foi muito superior ao que vinha experimentando, conta.

Indicações
O problema é mais corriqueiro do que se possa imaginar O médico diz que os portadores de ceratocone em estágio intermediário ou avançado formam o principal grupo de risco. A estimativa do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) é de que no país cerca de 200 mil pessoas tenham ceratocone. Queiroz Neto explica que a doença afina e deforma a córnea, distorcendo a visão de perto e longe. Responde por 7 em cada 10 transplantes no Brasil. “Geralmente surge na adolescência e é  mais frequente entre alérgicos por causa do hábito de coçar os olhos”, ressalta.   

Outras indicações da lente escleral elencadas pelo médico são:

· Cicatrizes na córnea durante a prática de esportes ou em acidentes.

· Após a cura de úlcera ou processos infecciosos menores da córnea

· Para melhorar o conforto de pessoas que trabalham em ambientes refrigerados.

· Para corrigir astigmatismo irregular após cirurgia refrativa.

· Após transplante de córnea

· Portadores de síndrome de Stevens-Johnson ou outras doenças que causem olho seco severo.

Como funciona
Queiroz Neto explica que a lente escleral tem de 12,5 mm a 25 mm de diâmetro enquanto as convencionais são menores do que a córnea que mede entre 8 mm e 8,5 mm.  Significa que mesmo a menor lente escleral tem mais estabilidade no olho e por isso é menos propensa a desalojar. Por isso, é mais confortável e garante melhor correção visual.  O maior diferencial, entretanto é a personalização do lente. “Pela tomografia corneana é possível desenvolver uma lente que funcione como a impressão digital da córnea”, afirma.

Colocação e manutenção
Por causa do diâmetro maior, o especialista diz que a face posterior recebe deve receber uma solução salina indicada pelo oftalmologista antes da lente ser colocada nos olhos.  Este solução não pode ter conservante para evitar o desenvolvimento de uma conjuntivite tóxica. Todos os demais cuidados de manutenção são iguais aos da lente convencional.

As recomendações do médico para garantir a saúde dos olhos são:

Fazer a adaptação com um oftalmologista.

Interromper o uso a qualquer desconforto ocular e passar por consulta médica.

Lavar cuidadosamente as mãos antes de manipular as lentes.

Utilizar soluções limpadoras na higiene e enxágüe das lentes e estojo

Friccionar as lentes para eliminar completamente os depósitos

Não usar soro fisiológico de frascos guardados na geladeira ou água na higienização

Retirar as lentes antes de remover a maquiagem e quando usar spray no cabelo

Colocar as lentes sempre antes da maquiagem

Guardar o estojo em ambiente seco e limpo

Trocar o estojo a cada quatro meses

Respeitar o prazo de validade das lentes

Jamais dormir com lentes, mesmo as liberadas para uso noturno.

Retirar as lentes durante viagens aéreas por mais de três horas

Não entrar no mar ou piscina usando lentes.

 

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