Jornal Folha Uberaba da show de pluralidade, mas é criticado – Por Vitor Von Silva

Nos últimos dias as publicações do colunista Marco Túlio Oliveira Reis geraram comentários e críticas (des) “construtivas” ao Jornal Online Folha Uberaba, que replicou a publicação na página oficial do jornal no facebook. Os leitores foram objetivos nos pressupostos: “Folha, cadê a imparcialidade?”, “A Folha se rendeu para a onda do ‘Lula Livre’, igual G1, UOL, Veja […]”. Vamos fingir que todos leram mais do que o título do artigo de Marco Túlio? Impossível! Pois, qualquer um que o tivesse lido constataria que, para um possível adepto do viés de esquerda, o colunista foi muito coerente em seu texto. Ora, os analistas de discurso de plantão reforçam esta teoria. O que mais poderiam esperar de um colunista de esquerda a não serem posicionamentos que comungam das pautas de esquerda? Se eu entendi bem, as pessoas queriam que Marco Túlio escrevesse aquilo que elas gostariam de ouvir. O que é preocupante, pois isso seria mais do que um atestado de ausência do chamado “folego ou filtro intelectual”, seria um atestado de intolerância às opiniões alheias.

Vamos observar o que disse Voltaire: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.” A origem da citação é questionada por alguns pesquisadores, no entanto é muito sábia! Ora, não se faz necessária continência ou obrigatório respeito às palavras ditas, obrigatório mesmo é o respeito ao ser humano que expressa a opinião contrária a nossa. É simples assim. Vejam o exemplo que vou dar a vocês, para demonstrar o que é a ausência do então chamado “filtro intelectual”, que é necessário em qualquer indivíduo que não quer cair nas armadilhas do sentimentalismo ou na arapuca da intolerância. Vou usar um autor que é contrário ao meu posicionamento político, para refutar tanto os equívocos no caso das postagens da Folha Uberaba quanto o próprio autor da frase que, como acabei de deixar esclarecido, é contrário ao meu posicionamento político. Mas, mesmo assim, ainda haverá aqueles que vão recortar o trecho da citação, para me rotular de acordo com o nível de ausência da capacidade de conviver em meio às diferenças e em meio às liberdades alheias.

Vamos observar o que disse Chomsky: “Se você acredita na liberdade de expressão, você acredita na liberdade para exprimir opiniões de que você não gosta. Quer dizer, Goebbels era a favor da liberdade de expressão para opiniões que ele não gostava. Tal como Stalin.” O que Chomsky quis dizer é que não existe meia liberdade de expressão. Se você não consegue observar uma opinião contrária sem sentir ódio, frustração ou desconforto, é imprescindível que você faça uma reflexão de conceitos de liberdade. No entanto, Chomsky se esqueceu de dizer que, após Stalin e Goebbels ouvirem as palavras dos seus opositores, eles os fuzilavam, demonstrando, assim, toda a “tolerância invertida” que ambos defendiam. Stalin era exatamente um extrato da intolerância às liberdades alheias e individuais. Era o carrasco da democracia. Lia os livros dos seus rivais, para conhecê-los melhor, mas o objetivo do ditador não era compreender para amar, pelo contrário, Stalin queria compreender para controlá-los e, os que resistissem, assassiná-los. A linha de raciocínio de Stalin lembra muito a linha de raciocínio dos críticos de Marco Túlio, que, por pensamento lógico, comunga de pelo menos alguma pauta stalinista, isso se ele realmente for um socialista, como foi ventilado nos comentários. No entanto, parece que as coisas estão invertidas. Se Marco Túlio está a ser criticado por expressar a sua opinião em um jornal, quem encoraja a barbárie são aqueles que os criticam SEM BASE RACIONAL, guiando-se apenas pelo fanatismo e pelo imaginário.

Dirão nesse momento: “Vitor, mas é fato que se a liberdade de expressão é um bem comum, as críticas à Folha Uberaba são feitas sob a sua luz.” Perfeito! O problema é quando a crítica se transforma em um ataque direto à pessoa e não mais às ideias. Aí o conhecido Ad Hominem entra em campo. Atropelando razão, fatos e, não menos importante, democracia, criando um alvo na personalidade do professador da opinião. Não estamos falando de um professor em uma sala de aula que usa o ambiente escolar para disseminar somente as suas ideologias pessoais nos conteúdos e de forma subliminar, impedindo os contrapontos. Estamos falando de um jornal. Um local apropriado para as expressões e opiniões. Tão logo as postagens de opinião são tratadas como o que são: “Artigos de opinião”. Nós temos que aprender a ouvir as opiniões das pessoas sem realizar análises imediatistas, sempre evitando as ponderações advindas de ângulos fechados, pois, como disse Spencer, “a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro” e isso não é uma pauta a ser relativizada. Opiniões são pensamentos e pensamentos são partes do ser. Logo, imediatamente, só fazem sentido para o ser que os criou e, mesmo assim, com o passar dos minutos, o mesmo indivíduo que criou a opinião poderá aprimorá-la ou simplesmente refutá-la. Se permitam serem abertos para as opiniões contrárias, pois ninguém é capaz de conhecer uma pessoa, senão pelo diálogo! Contudo, deixo o brilhante pensamento de Rothbard, que diz que “desde que as ações de um indivíduo não toque psicológica ou fisicamente os demais indivíduos, tudo ficará bem”.

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