HC-UFTM vai oferecer tratamento preventivo contra o HIV

Em janeiro de 2019, o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro dará início ao atendimento ambulatorial de prevenção medicamentosa do vírus HIV. A profilaxia pré-exposição - PrEP - é ministrada em um comprimido diário, combinando dois antirretrovirais, com o objetivo de impedir a infecção pelo vírus causador da aids.

A iniciativa faz parte do Programa de Combate às Doenças Sexualmente Transmissíveis - DSTs -, do Ministério da Saúde, e já é realidade, hoje, em 65 unidades assistenciais, em todo o país. Com a inserção do HC-UFTM, Minas Gerais passa a contar com serviços cadastrados em cinco cidades. As demais são Belo Horizonte, Juiz de Fora, Passos e Uberlândia.

“Essa política pública visa a reduzir o número de novos casos de HIV no Brasil, com foco em profissionais do sexo, transexuais, parceiros de soropositivos, homens que fazem sexo com homens e tenham múltiplos parceiros, além de indivíduos que apresentem DSTs frequentes”, explica o infectologista e coordenador do Ambulatório de PrEP do HC-UFTM, Rodrigo Juliano Molina.

A dispensação dos primeiros 30 comprimidos será na primeira consulta, após teste rápido para detecção de HIV, sífilis e hepatites. O retorno acontece antes do final do medicamento e, a partir da segunda retirada, serão fornecidos 90 comprimidos, com retorno trimestral. 


Uso contínuo

“É importante verificar que não existe infecção pelo HIV antes de iniciar a PrEP, pois as substâncias utilizadas não conseguem, sozinhas, tratar o portador do vírus. Também por isso, a cada retorno o teste rápido será repetido”, Molina detalha, ressaltando que a profilaxia está disponível apenas no Sistema Único de Saúde e não é prescrita na rede privada.

De acordo com o médico, a combinação de tenofovir e emtricitabina é potente e segura. Os efeitos colaterais são raros e se manifestam na forma de dores de cabeça, náuseas e diarreias, que tendem a desaparecer nos primeiros 28 dias. “Para que seja garantida a eficácia da PrEP, é indispensável a tomada diária da medicação. A redução de até 92% no risco de se contrair o vírus é atingida após o sétimo dia de uso, para relação anal, e vigésimo dia, para vaginal”, especifica. 

Os interessados em ter acesso à profilaxia devem entrar em contato com o Ambulatório de Especialidades do Hospital de Clínicas da UFTM, no telefone 3318-5530, para deixar nome e telefone. O Hospital entrará em contato quando as datas das consultas estiverem disponíveis.


Prevalência

A Organização Mundial de Saúde recomenda a oferta de PrEP desde 2012. A estratégia preventiva já é utilizada nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Bélgica, Escócia e Peru, vendida na rede privada. França, Austrália, Quênia e África do Sul, assim como o Brasil, a oferecem no sistema público. O investimento inicial do Ministério da Saúde, no primeiro ano, foi de R$ 8,6 milhões, para aquisição de 3,6 milhões de comprimidos.

De 1980 a junho de 2018 foram registradas 926,7 mil infecções por HIV no Brasil. Em 2017, a taxa de detecção foi de 18,3 casos a cada 100 mil pessoas, queda de 16% com relação a 2012. Na mesma proporção foram reduzidos os óbitos, de 5,7 para 4,8 a cada 100 mil habitantes. 

Os dados são do mais recente boletim do Ministério da Saúde, divulgado em 27 de novembro. Segundo a pasta, 73% das novas infecções no país acontecem entre homens. Sete em cada dez novos casos são em homens de 15 a 39 anos. Estão em tratamento antirretroviral no país, hoje, 585 mil pessoas. 87% delas apresentam carga viral indetectável, o que torna remoto o risco de transmissão.

 

 

 

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