Especial Bullying - Folha Uberaba

Vamos falar sobre bullying?

Nossa missão é a busca constante de um conteúdo que possa enriquecer a experiência de nossos leitores, a apresentação deste projeto aqui na Folha Uberaba, é algo muito gratificante, não só pela importância do assunto, ainda mais face aos últimos acontecimentos envolvendo adolescentes que chegaram a atitudes extremas que chocaram todo o país.

Buscando cumprir nosso papel de colaborar para a melhoria das relações humanas como um todo e também para trazer um assunto tão palpitante à mesa de discussão da forma mais clara e lúdica possível, pedimos apoio a quem convive com crianças e adolescentes, ou mais que isso, dedica suas vidas a essas pessoas.

Contamos com o apoio da neuropedagoga Sandra Regina Lima de Almeida, que não só aceitou o desafio, como abraçou a causa com a paixão de quem ama o que faz.

Enriquecendo o trabalho e por sugestão dela, trazemos a opinião pra lá de abalizada pela própria história de vida, da secretária de educação do município de Uberaba, Silvana Elias, que gentilmente cedeu um pouco do seu tempo para nos brindar com um texto sobe o assunto.

A nossa expectativa é que este material possa servir de estímulo para outras iniciativas que coloquem o assunto para discussão de mais gente, que envolva os pais e as crianças e que possa quem sabe, suscitar um olhar mais abrangente sobre o assunto, livre de pré-conceitos e ideias engessadas sobre o tema. Afinal, estamos tratando do futuro, quando buscamos uma maior compreensão do presente.
 

Agradecimento:


A neuropedagoga Sandra Regina, responsável por esse material, não sabe dissociar sua vida da educação e seus desafios, com uma carreira já consolidada no município e no estado, ela não tem mais brilho nos olhos do que quando fala de "seus remedinhos". Ela faz questão de dizer que não há tristeza que resista a uma sala de aula, não h
á prazer maior do que ver "seus meninos" superando cada etapa. 
Essa é a pessoa que além de dedicar grande parte do seu tempo para a escola, ou melhor, escolas, ainda, achou tempo para nos brindar com esse material.
A nós da Folha Uberaba, só resta agradecer, assim como testemunhamos tantos pais fazendo por sua dedicação às suas crianças. Obrigado!

 

Depoimento:


Silvana Elias

Falar de bullying é falar de respeito ao outro e às suas diferenças e tudo seria resolvido se as pessoas fossem educadas sob a ótica do apreço à dignidade humana. Independente da condição desse outro, em qualquer aspecto da vida, o respeito às diferenças fundamenta nossos direitos expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Penso que cabe à família, em primeiro lugar, pensar sobre a forma como estão educando seus filhos. Como educadora, em contato direto com as situações de bullying nas escolas, observo que, muitas vezes, a reação a essa prática maldosa acontece de forma equivocada, tanto por parte de alguns pais, quanto por parte de alguns educadores.

Além da família que ignora o comportamento desrespeitoso dos filhos, em relação a colegas, há também, nos pais de crianças ou adolescentes vítimas de bullying, um comportamento de proteger imediatamente essas crianças e de eliminar o sofrimento, retirando-as da escola. Esses pais se esquecem de que o adequado é: em relação ao agressor, a prática de um processo educativo e, em relação à vítima, o empoderamento para enfrentar a questão. Fugir do problema nunca foi solução.

O ideal é que, juntos, escola e família, se aliem para fazer os enfrentamentos necessários, numa postura educativa de respeito ao outro, independente de quem seja ou das suas diferenças. Infelizmente, o que muitas vezes observamos é que os próprios pais acabam educando para o desrespeito, quando falam uma coisa e vivem outra. É comum, nas escolas, encontrar alguns pais que se omitem, ou defendem e justificam as atitudes do agressor, em vez de corrigir o filho/filha, estabelecendo limites e exigindo que respeite o outro. É triste! Estão contribuindo para formar homens e mulheres desrespeitosos, antifraternos e sem disciplina.

Pior ainda, quando os filhos presenciam cenas de pais superprotetores, com posturas inadequadas: em vez de corrigirem a criança ou o adolescente praticante do bullying, partem para o ataque e o desrespeito também.

Gostaria também de acrescentar que, com a ascensão das redes sociais, identifico, sempre, agressões de pais às escolas, aos educadores, às autoridades, demonstrando completa inconformidade em suas posturas, já que para “fazerem bonito”, no que parece a defesa de uma causa, partem para o ataque, sem sequer se informarem sobre a verdade dos fatos. Quando uma criança ou adolescente vê a forma como a mãe ou o pai se comportam em relação às pessoas, a tendência é imitar. Como educadora, com uma caminhada longa na relação com o ato educativo, eu não preciso aprofundar muito para saber que tipo de pai ou mãe tem uma criança. Pelo comportamento dessa criança e pela forma como ela se relaciona, na escola, desde a mais tenra idade, nós educadores somos capazes de compreender, com algumas exceções, o seu contexto familiar. O que pais e professores precisam entender é que as palavras podem educar muito; uma boa conversa, com firmeza, pode, sim, mudar comportamentos, mas o exemplo é fundamental. Como cobrar de uma criança o respeito ao outro, se ela vê os pais desrespeitando – e até mesmo agredindo –, pelas redes sociais, outras pessoas e, em alguns casos, a escola que ela frequenta e os profissionais que ali atuam? As palavras educam; os exemplos mudam comportamentos!

É urgente educar o olhar das pessoas para o respeito e para alcançar o coração e as mudanças tão necessárias à sociedade!

Ações da Secretaria Municipal de Educação em relação às questões citadas:

Tempo Integral - aproximadamente 18 mil alunos da Rede Municipal estarão em atividades de Tempo Integral, que envolvem Grupos de Liderança, práticas esportivas, oficinas de arte em geral e ações plurais, dentro e fora dos muros. Do universo de 26 mil estudantes, o Tempo Integral é oferecido a quase 70% deles.

Grupos de Liderança - merecem destaque, porque trabalham diretamente com os jovens, distribuídos em atividades que contemplam: Jovens Empreendedores, Grêmios Estudantis e Agentes Ambientais, com temas relevantes para essa faixa etária e contribuindo para as relações sociais, a criticidade, a criatividade e o protagonismo.

Programa Escola e Família - atualmente, desenvolvido em 14 escolas municipais, com a colaboração de psicólogos e pedagogos, é uma vertente essencial que lida diretamente com assuntos como bullying. Além dos alunos, as famílias são também envolvidas no processo de Cultura de Paz.

Educação Inclusiva - Uberaba é referência para 39 municípios da região, atendendo mais de 1.500 alunos da Rede, encaminhados ao Centro de Referência de Educação Inclusiva “Paulo Antônio de Pável de Paiva” (Crei). Quase todas as escolas oferecem salas de Atendimento Educacional Especializado e familiares de crianças com deficiência também são acolhidos pela equipe, que conta com cerca de 400 profissionais de apoio, e por um grupo multidisciplinar.

Outros trabalhos importantes são: mediação de conflitos, primeiramente desenvolvido em uma escola municipal, e Escola Restaurativa, inicialmente aplicado em quatro unidades, em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais, para incorporar, na formação de professores, uma metodologia inovadora e tão necessária para a educação contemporânea, cujas ações se fundamentam no diálogo, na mediação de conflitos e na formação de homens e mulheres de bem, com ênfase na promoção humana e na cidadania.

Professora Silvana Elias, Secretária de Educação de Uberaba

 

Convidando você para falar sobre o tema
 

Bullying: fomentando perguntas para suscitar respostas

Que todos são diferentes, pensamos diferente, agimos diferente diante de uma situação, todos sabem...

   

    

 

 É ingênuo quem acredita que as diferenças, de qualquer forma, são aceitas . São apenas toleradas e no menor atrito explodem em forma de ofensas...

E muitas vezes nem falamos, só pensamos. Vocês devem estar falando que estamos fugindo do assunto, mas não, estamos chegando ao ponto principal, na cultura do respeito que ensinamos aos nossos filhos. Veja algumas opiniões de crianças sobre o respeito:

Respeito é aceitar as pessoas como elas são.
D. 11 anos

 

Respeito é não brigar com as pessoas 
que pensam diferente da gente.
L. 10 anos   

 

Respeito á saber que cada um é cada um.
A. L. 9 anos

 

Acho que é quando a gente brinca com
todo mundo e não tem preconceito.
S. R. 12 anos

 

Haveria um sem número de opiniões a se levar em consideração, mas uma chama muito a atenção,

Respeito é ficar calado quando alguém fala uma besteira,
você sabe que ele tá errado mas não fala nada, só pensa
como ele é burro, mas não pode nem rir na frente dele.
M.F. 10 anos

 E é nesse momento que paramos para pensar, que tipo de respeito estamos ensinando às nossas crianças? Como se pode respeitar uma pessoa se a chamamos de burro? Qual é o meu parâmetro para medir e avaliar o que alguém diz?

Temos que observar nossos atos, já que, como diria Confúcio, “As palavras convencem, o exemplo arrasta”. E é com pensamentos semelhantes ao de M.F. que se inicia o bullying, pensando que o outro é inferior, que o outro não sabe as mesmas coisas que eu, que ele é um ser que precisa sofrer para aprender... Enfim, quando se vê o outro sem se ver nele estamos nos tornando defensores dessa cultura injusta e desigual. Um pai ensina muito mais com seus exemplos do que com suas palavras e se um filho o vê praticando situações de bullying social deve internalizar essa ação e pode se tornar um futuro autor.

Então...   O que fazer?

Ninguém tem a receita, mas vamos esclarecer alguns pontos, pois se pensarmos juntos poderemos suscitar respostas...

Segundo um estudo de pesquisa da Unicef, feito em 2017, o Brasil é o 4º maior país com maior prática de bullying no mundo.

Cerca de 43% dos estudantes de 11 a 12 anos disseram ter sido vítimas de bullying. 
                 
As razões do bullying variam entre aparência física, gênero, orientação sexual, etnia ou país de origem ( ONU, 2016).

  

Que o bullying acontece também em países desenvolvidos e a taxa nesses países gira em torno de 40% a 50%.


Bullying não é somente um ato praticado nas escolas, permeia todo âmbito social.


Enfim, em todo lugar onde haja interação social é sujeito a acontecer situações de bullying.

Bullying não é um ato isolado, não é uma situação de brincadeira...

 

                                  
ACONTECENDO REPETIDAMENTE
Para Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas pares (colegas de classe ou trabalho, por exemplo), e apresentar quatro características: a intenção do autor em ferir o alvo, a repetição da agressão, a presença de um público espectador e a concordância do alvo com relação à ofensa.

  

Espera-se que quando o leitor chegar a esse ponto tenha mais perguntas do que respostas e possa repensar várias situações. Porém,  a única coisa que não se pode fazer é considerar as situações de violência e as agressões como coisas rotineiras e normais. Tem-se que estranhar e buscar recursos para mudar esse quadro.

A escola não é o único lugar onde o bullying ocorre, mas é o lugar onde ele é mais frequente e, geralmente, a vítima, nesse caso, por ser criança ou jovem, não procura ajuda, não conta para os pais, o que acarreta em problemas maiores. “É certo que a escola não pode se encarregar de todos os aspectos da formação de seus alunos, mas é indesculpável que não faça tudo o que estiver ao seu alcance” (Lidia Aratangy). Deve-se criar uma cultura da paz, propiciar momentos em que a tolerância seja exigida, a aceitação da diferença seja protagonista.

A violência nas escolas só pode ser enfrentada se tratada em profundidade, com formação docente específica,
incentivo à solidariedade e aumento da proximidade entre professores e alunos.

Eric Debarbieux

 

E ainda tem-se que pensar que durante muito tempo, mesmo que a criança sofresse bullying na escola, poderia ir para casa, seu refúgio. Hoje a violência entra pela janela, através do 


Daniel Goleman, pesquisador de Harvard, e Peter Senge, Professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), escreveram o livro Foco Triplo: uma nova abordagem para a educação.
Na obra, defendem que a sociedade deve ajudar crianças e jovens a desenvolverem o foco em diferentes esferas para que estejam aptas a viver em harmonia e a tomar decisões que preservem o mundo. A escola pode sim ensinar as crianças a cultivarem carinho e compaixão umas com as outras. Esse processo se chama EMPATIA, sentimento totalmente necessário para um início de mudança.

Os autores compartilham experiências simples e eficazes. Por exemplo, na escola primária de New Haven, em Connecticut, as crianças são organizadas em uma roda de conversa no início da aula e costumam expressar o que sentem naquele dia. Segundo os autores, essa simples atitude faz com que os alunos criem o hábito de autoconsciência. Quando as crianças nomeiam as emoções com precisão, elas têm mais clareza acerca do que ocorre em seu íntimo. Outro exemplo de atitudes para desenvolver a empatia entre os alunos é o de uma professora, esse está rodando nas redes sociais, que coloca na entrada da sala de aula alguns desenhos  representando como elas querem ser cumprimentadas, aperto de mão, abraço, cumprimentos diferenciados, enfim a própria criança escolhe como a professora deve recebê-la. Isso faz com que a criança exponha seus sentimentos claramente, mas antes, a faz  pensar em como se sentiria com cada uma das formas.

Seria essa então a saída para acabarmos com a violência, intolerância, preconceito? Nada é tão fácil, mas se pensarmos na frase do Dalai Lama, podemos entender como o bullying acontece...

Todos os olhos devem se voltar para o menor sinal de violência, principalmente nas escolas, não se deve deixar a criança pensar que violência é normal, que a igualdade é para alguns, que existe um modelo de beleza, que a vida tem somente um caminho...

A criança tem que entender que seus caminhos são construídos com seus atos, com suas decisões e que ele tem escolhas, inclusive de mudar, caso necessário.

A união família-escola é a única solução para acabarmos com o bullying e com a violência social. Acolher, olhar nos olhos, tocar com mãos de amor, sentir a dor, colocar-se no lugar do outro e principalmente, ensinar nossas crianças que cada um tem seu valor, sua beleza e isso é o que faz valer a vida.



Em uma atividade feita em uma sala de aula, foi proposto aos alunos que sentassem em dupla. Depois deveriam dizer um episódio em que o colega, seu par, o ajudou. “No início foi difícil,” relata a professora, “mas aos poucos até mesmo um bom dia foi valorizado.” Com a experiência as crianças primeiramente validaram ações importantes, perceberam que mínimas coisas se tornam grandes quando as percebemos, que sempre temos algo para valorizar em alguém. Essas foram as reflexões das próprias crianças. Além disso foi perguntado antes o que era respeito e as respostas variaram, mas perguntado novamente, depois da atividade, a resposta foi unânime, embora com outras palavras: ”olhar nos olho e entender o que a pessoa é, de verdade”. Ações como essas tem que se tornar constantes em salas de aula, em casa, expor com clareza os sentimentos, olhar nos olhos, agradecer, validar...


Então, falamos em como evitar, mudar uma postura social, em algumas ações que já estão sendo feitas para esse fim...

MAS, AFINAL, COMO SABER SE A CRIANÇA ESTÁ SOFRENDO BULLYING?????

Observe o iconográfico abaixo, ele deve esclarecer alguns pontos:

 E novamente se pensa na importância da união da família e da escola

No quanto os exemplos de educadores e pais se tornam importantes, muito mais do que palavras, porém estamos longe de chegar a uma solução, seria fácil ter uma receita, um caminho, seria ótimo saber o que fazer para que a violência.

Há pouco mais de dois anos recebi um email com partes de uma palestra ocorrida em Salvador, tratava-se de um homem, francês, de nome Olivier Boullet. A palestra era sobre a comunicação não violenta, baseado no livro comunicação não-violenta de Marshall B. Rosemberg, o palestrante utilizou-se de dois fantoches e fiquei muito impressionada com as partes da palestra que recebi. Porém não me aprofundei. Agora, em meio a tantas ações de violência, de tantos atos difíceis de aceitar, lembrei-me de uma fala de Boullet, “O que os outros falam pode ser o estímulo para nossos sentimentos, mas não a causa.” Nunca uma fala foi tão pertinente.

Muitos perguntarão, mas com que finalidade esse projeto foi criado? E a resposta é uma só, a Folha de Uberaba uniu-se à Prefeitura de Uberaba com a finalidade de oferecer uma reflexão para suscitar questionamentos, pois é assim que se resolvem problemas, com ações conjuntas, provocando a acomodação, direcionando um novo olhar sobre velhas situações.

Nas páginas a seguir veremos textos de pessoas que apoiam e enriquecem esse especial. Mas fica aí uma tirinha para pensarmos.

Filmes:
A Classe (Drama, 2007) ...
Ben X, A Fase Final (Drama, 2007) ...
Bullying, Provocações Sem Limites (Drama, 2009) ...
Cyberbully (Drama, 2011) ...
Meu Melhor Inimigo (Drama, 2010) ...
Quase um segredo (Drama, 2004)
Extraordinário ( Drama, 2017)
Te pego lá fora! ( Drama, 1987)
Meninas Malvadas ( Drama, 2004)
Ponte para Terabitia (Drama, 2007)
As vantagens de ser invisível ( Drama, 2012)
Bullying | Provocações Sem Limites ( Drama, 2011)
 
 
Livros:
Jogo Duro, Eliana Martins - Editora do Brasil, 2015
E Se Fosse com Você?, Sandra Saruê - Melhoramentos, 2009
Todos Contra Dante, Luís Dill - Cia das Letras, 2008
A Lista Negra, Jennifer Brown - Gutenberg, 2012
Tem um Garoto no Banheiro das Meninas, Louis Sachar - Record, 2006
Antes que eu vá, Lauren Oliver - Intrínseca, 2011
Os 13 porquês, Jay Asher - Ática, 2009
Extraordinário, R J Palacio - Intrínseca, 2013



Biografia:
https://descomplica.com.br/blog/redacao/tema-de-redacao-a-violencia-na-escola-em-questao-no-brasil/

https://rennancantuaria.wordpress.com/2016/01/11/empatia-a-utopia-contra-a-quimera/

https://www.imagensfrases.com.br/2017/01/mensagens-do-dia-da-nao-violencia/

https://rennancantuaria.wordpress.com/2016/01/11/empatia-a-utopia-contra-a-quimera/

https://www.escolaemmovimento.com.br/blog/bullying-na-escola/  

 

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