Coluna Túlio Reis

Marco Túlio Oliveira Reis – mtoreis@hotmail.com

 

Brumadinho

Não é mera coincidência a tragédia que vitimou a cidade de Brumadinho (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte. Por trás desse acidente (?) tem muita desídia e ganância. O lucro desmedido não pode submeter a vida humana ou o meio ambiente. A Vale tem que ser controlada e fiscalizada adequadamente por órgãos autônomos e independentes.

Inhotim

Há pouco estive em Brumadinho, aliás, meu destino foi Inhotim, santuário ambiental, paisagístico e artístico. O maior museu de arte moderna a céu aberto recebe anualmente milhares de visitantes de todo o mundo. Fiquei deslumbrado com tanta beleza e cuidado. Em que pese o tamanho da tragédia, as instalações do parque não sofreram danos com o rompimento da barragem da Vale.

Instituto

O Instituto Inhotim começou a ser idealizado pelo empresário mineiro Bernardo de Mello Paz a partir de meados da década de 1980. A propriedade privada se transformou com o tempo, tornando-se um lugar singular, com um dos mais relevantes acervos de arte contemporânea do mundo e uma coleção botânica que reúne espécies raras e de todos os continentes. Possui cerca de 400 funcionários, a maioria moradores de Brumadinho.

Economia

Toda a economia do pequeno município, 35 mil habitantes aproximadamente é dependente da companhia Vale. Fora os empregados da empresa, pequenas propriedades rurais, comércio insipiente e hotelaria e o Instituto Inhotim, com seus visitantes, movimentam o lugarejo. Esse desastre, que provocou significativa perda humana vai marcar indelevelmente a história da cidade e região. 

Tragédia

Esse desastre, do ponto de vista humano, de dimensões superiores ao que aconteceu há pouco em Mariana, não pode ser debitado na conta das eventualidades. Não é possível que a empresa Vale, uma das maiores do mundo, não tenha, se os protocolos de segurança brasileiros fossem mais severos, capacidade para evitar tragédia de tamanha envergadura.

Privilégios

A mineração no Brasil, especialmente a que envolve interesses de exportação e de grandes negócios como é o caso da Vale, dita as regras, elege deputados, governadores e deita e rola nos privilégios e exceções no regramento ambiental. Quando não os define em seu interesse, utiliza-se de mecanismos para burlá-los ou simplesmente ignorá-los com a conivência de quem deveria fiscalizar e punir.

Acidente

É inconcebível que em prazo tão curto, desastres com as mesmas características, envolvendo a mesma empresa e objeto, sejam tratados como acidente. Claro que faltou cuidado, investimento, fiscalização, responsabilidade de diretores e seriedade de autoridades, técnicas ou políticas.

Responsabilidade

Ou o Brasil revê seus protocolos de segurança na área de mineração, responsabilizando autoridades, proprietários, diretores e técnicos, civil e criminalmente, ou em breve estaremos, novamente, lamentando perda de vidas que serão ceifadas por mais um “acidente”.

Pipocas

Pipocas gourmet além de estar na moda são incrivelmente deliciosas. A Poc, da jovem empresária Ranna Reis de Oliveira Brito de Falco, está fazendo grande sucesso entre as pessoas descoladas que gostam de inovar em suas recepções. A Poc trabalha com milhos selecionados, escolhidos com todo critério e profissionalismo.

Gourmet

As pipocas gourmets são elaboradas artesanalmente e embaladas manualmente, com todo carinho e capricho. Diversos são os sabores que agradam os mais finos paladares. Atende eventos sob encomenda: Telefone: (34) 9 9156 3113; Facebook: PocPipocasGourmet; Instragram: @PocPipocasGourmet e Email: pocpipocasgourmet@gmail.com.

E a vida passa!

Como somos o país da tragédia, uma notícia ruim sai de cena não porque foi resolvida, mas apenas porque uma pior tomou seu lugar. Por exemplo, a política de “meritocracia” praticada pelo general Mourão para apadrinhar seu pupilo, foi sepultada pelo escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e seu “motorista”. Agora as investigações que levam para dentro do clã Bolsonaro o envolvimento com milícias cede lugar para a tragédia de Brumadinho. E assim a vida passa.

Legião de Imbecis

Morto em 19 de fevereiro de 2016, o escritor e filósofo italiano Umberto Eco afirmou que as redes sociais dão o direito à palavra a uma "legião de imbecis" que antes falavam apenas "em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade". Pior é que sempre que fato relevante ocorre, lá vem essa legião tripudiar da inteligência humana. Efeito colateral da tecnologia!

 

*Marco Túlio Oliveira Reis é advogado OAB/MG n.º 60.364; jornalista Registro Profissional n.º 16.609/MG.

 

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