Coluna Túlio Reis

Marco Túlio Oliveira Reis – mtoreis@hotmail.com

 

Negação da história

A negação da história é sempre um apanágio das mentes doentias para justificar suas ideologias amorfo-sociais. E assim é o procedimento dos ditadores, fascistas e demais governantes psicopatas pelo mundo. A Deputada Federal Maria do Rosário (PT) bem define o momento que vivemos “a legitimidade do governante não nasce exclusivamente do processo eleitoral, mas do cumprimento da Constituição e da legalidade. A apologia à ditadura no Brasil é ilegal, inconstitucional e define a ilegitimidade de qualquer autoridade”.

Golpe Militar

Não! O golpe não foi somente “militar”, foi cívico militar. Eh! Uma parte da elite nacional, servil a interesses do capital internacional, engendrou e patrocinou a ação da “mão amiga e braço forte” do Estado. A ruptura com a ordem democrática e constitucional não foi obra apenas dos quartéis. Aliás, é bom que se diga, muitos militares que não se curvaram à “nova ordem” morreram ou foram vítimas das barbáries dos golpistas.

Barbárie

Logo nos primeiros dias que sucederam ao golpe de estado, cerca de 20 mil pessoas foram presas pelos militares. Isso apenas nos primeiros dias após a derrubada do governo de Jango. Isso é o que consta no oficio enviado pelo embaixador italiano Eugênio prato, ao Ministério do Exterior na Itália. A isto seguiram-se diversas outras prisões, torturas, sequestros de homens, mulheres e crianças, assassinatos de dissidentes, descarte de corpos em covas coletivas, alto mar, locais ermos e de difícil acesso. Isso foi apenas o começo, o inferno duraria mais de duas décadas.

Alicate

Não sei de onde era, nem sei seu nome, sei apenas que era “sargento da Marinha”, ou ao menos assim dizia. Andava pelas redondezas da Praça Jorge Frange, antiga rodoviária de Uberaba, lavava carros e falava de sua desventura pós golpe militar. Era eu ainda criança, mas ouvia atentamente as narrativas do homem visivelmente perturbado emocionalmente. Dizia-se vítima da “redentora”, e assim, entre um carro e outro que lavava, desfiava pedaços do martírio que experimentou – bastava coragem para ouvi-lo.

Bacuri

Entrei naquele escritório bacana, bem transado, e vi uma escultura sobre uma mesa... não entendi direito, um homem sobre uma cruz, alusiva ao Cristo crucificado, mas não era... eu ainda jovem, com muita vontade de tudo, queria uma ajuda para publicação de um livro de poesias. Perguntei, o que é essa escultura? E meu saudoso amigo publicitário e de texto fácil e contundente, Marcos Rocha, contemporâneo de cárcere de Eduardo Collen Leite disse-me: - É uma homenagem à Bacuri.

Gildo Macedo Lacerda

Quando ingressei na faculdade, lá nos idos anos de 1986, na efervescência do Movimento Estudantil, em pleno ano eleitoral, o Brasil mobilizava-se em torno da eleição para a Assembleia Nacional Constituinte, e logo me enturmei com o pessoal do DCE. Nesse momento, um nome me chamou a atenção Gildo Macedo Lacerda, desaparecido político, vítima da ditadura militar – empresta seu nome ao Diretório Central dos Estudantes da Universidade de Uberaba.

Herzog

Vladimir Herzog foi jornalista, professor da USP e teatrólogo. Intimado, apresentou-se em 24 de outubro de 1975 ao DOI/CODI-SP para esclarecer supostas ligações com o PCB (Partido Comunista Brasileiro). Taxado de subversivo, Herzog foi encarcerado, humilhado, torturado e assassinado por agentes do regime militar. Conforme a versão oficial da época, o jornalista teria se suicidado, enforcando-se com um cinto. Fotografia emblemática divulgado por seus algozes percorreu o mundo e tornou-se símbolo da barbárie brasileira.

Frei Tito

“Apesar de declarar nada saber, insistiam para que eu “confessasse”. Pouco depois levaram-me para o “pau-de-arara”. Dependurado nu, com mãos e pés amarrados, recebi choques elétricos, de pilha seca, nos tendões dos pés e na cabeça. Eram seis os torturadores, comandados pelo capitão Maurício. Davam-me “telefones” (tapas nos ouvidos) e berravam impropérios. Isto durou cerca de uma hora. Descansei quinze minutos ao ser retirado do “pau-de-arara”. (…) Ao sair da sala, tinha o corpo marcado de hematomas, o rosto inchado, a cabeça pesada e dolorida.” Morto em 1974, após todo esse martírio – supostamente vítima de suicídio, em Lyon, na França.

Stuart

Quero cheirar fumaça de óleo diesel... assim Chico Buarque enriqueceu sua música Cálice – todavia, essa inspiração veio de mais um episódio sórdido patrocinado pelos órgãos de repressão. Stuart Angel Jones, filho da estilista Zuzu Angel, então com 26 anos, desapareceu. O militante do MR – 8, não forneceu as informações que os torturadores desejavam, então foi morto ao ser arrastado por um jipe, amarrado ao cano de escape do veículo, asfixiado pela fumaça do óleo diesel. Seu corpo não foi encontrado.

Boitempo

Em homenagem a tentativa de desmemoria perpetrada pelo presidente Bolsonaro, a editora Boitempo, dará desconto em publicações sobre o golpe de 64. A iniciativa é resposta à sugestão do presidente para que quartéis comemorem a data do golpe no dia 31 de março. Por toda essa semana, livros e ebooks sobre o golpe militar estarão com desconto surpreendentes. Vale a pena (e é necessário) conferir: https://www.boitempoeditorial.com.br

Consciência Negra

A 14.ª Subseção da OAB de Minas Gerais, através de seu presidente Eduardo de Carvalho Azank Abdu firma posição em defesa do feriado municipal de 20 de novembro – Dia da Consciência Negra. O presidente diz que entende a situação alegada pelos comerciantes, todavia “é uma data que precisa ser valorizada, inclusive por tudo aquilo que a raça negra representou e representa para a nossa sociedade”.

Esperança

Ela fez aniversário, mas quem ganhou o presente foi Uberaba. A mineira de Araguari, Doroty Marques, comemorou seu aniversário de 73 anos e deu canja para seleta plateia que acompanhou a caravana do Dandô – Circuito de Música Dércio Marques na cidade. Katya Teixeira, a musa do espetáculo dividiu o palco com a grande mestra. Difícil não se emocionar com tanta qualidade e esperança. Espetáculo aconteceu dia 28, no Laboratório 96. Viva Dandô! Viva Kátya Teixeira! Viva Doroty! Viva, viva e reviva! 

 

*Marco Túlio Oliveira Reis é advogado OAB/MG n.º 60.364; jornalista Registro Profissional n.º 16.609/MG.

 

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