COLUNA MARCO TÚLIO REIS

Marco Túlio Oliveira Reis – mtoreis@hotmail.com

 

Ao vencedor...
Ao vencedor as batatas! É, exatamente assim que Quincas Borba, o filósofo de Machado de Assis define a glória na disputa. Ao vencedor as batatas – barriga farta, e ao derrotado, fome, miséria, desonra e tempo pra lamber as próprias feridas. E assim tem sido nestes tempos pós eleição, não só agora, mas desde sempre.

Irracional
Os eleitores de Bolsonaro comemoram com euforia, cada firula, cada bravata, cada acerto ou desacerto de seu líder; de outro lado, os “lulopetistas” tentam justificar a derrota – para a sociedade, para seus eleitores mais íntimos e pior, para si mesmos. Faz parte... evidente a falta de racionalidade no pós vitória/derrota. É assim que é o jogo de poder que desde sempre, já conhecemos.

Liderança
Um dos principais argumentos dos lulopetistas é que houve um acordo sinistro entre as elites nacionais, políticos “de sempre”, parte do judiciário e a “grande mídia”, para tirar a vitória das mãos deles. Verdade que todas as pesquisas apontavam liderança larga de Lula na disputa presidencial.

Porém
Mas, tudo que é sólido desmancha no ar, já alertava o autor estadunidense Marshall Berman e a vitória anunciada, encontrou um porém, sempre existe um porém. No meio do caminho tinha uma pedra – Drummond já sabia, e essa pedra tinha nome e sobrenome. Sérgio Moro, levando o judiciário a um protagonismo nunca antes visto na história do Brasil fez dissolver o indissolúvel.

Capitão
O sonho de “desfazer o golpe” já não era tão possível – Lula foi banido, em processo célere e com indícios claros de atropelos constitucionais, do jogo eleitoral. O “Games of Thrones” tupiniquim não ressuscita seus “heróis”. Então o herói da caserna foi adotado, não só pela elite, extrema direita, neopentecostais, “políticos de sempre” e outros diabretes, também e especialmente, pelos oprimidos, beneficiários das políticas sociais pérolas implantadas pelo governo Lula.

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Com regras novas e comportamentos antigos, as eleições deste ano assustaram os políticos tradicionais, os marqueteiros e claro, os assessores e comentaristas. O horário eleitoral na TV, tão disputado outrora, em que pese tecnicamente gratuito, comercializado a peso de ouro por partidos, dirigentes e candidatos, teve pouca ou quase nenhuma importância. O que mandou mesmo, e mandou bem, foram as mídias sociais – Facebook, Twitter e Whatsapp – aliás, a vedete destas eleições.

Fakenews
A Justiça eleitoral (TSE) e também o STF, mesmo tendo alertado inúmeras vezes sobre o uso inadequado e ilegal da internet, reconhecido o potencial danoso das mensagens distorcidas, falsas, mentirosas, enviadas em massa – as famosas fakenews, nada fizeram para evita-las ou prontamente reprimi-las. E os abusos aconteceram sem quaisquer punições ou contenções.

Pegou mal
Repercute em todo o mundo a indicação (e o aceite) do juiz Sérgio Moro para ocupar o cargo de ministro da Justiça do presidente eleito Jair Bolsonaro. Não são apenas os lulopetistas que questionam esta decisão. Imprensa local e internacional, juristas, intelectuais, até membros do Poder Judiciário ficaram smell a rat, como diria o detetive Tobias Gregson a Sherlock Holmes no “Estudo em Vermelho”.

Mulher de César
Formalizada esta aliança, digamos, na melhor das hipóteses, temerária entre Moro, que exerceu papel preponderante nestas eleições, especialmente quando tirou do páreo Lula, e Jair Bolsonaro, ainda que com a melhor das intenções e ideal de combate à corrupção, justifica todo o discurso de parcialidade da justiça sustentado pelos defensores do ex-presidente. Como bem diz o ditado, “à mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta”.

Corrupção
Quem vê com bons olhos esta indicação é o promotor de Justiça, que sempre atuou em defesa do patrimônio público, Dr. José Carlos Fernandes Júnior, aliás, quando em atividade na comarca, era motivo de dor de cabeça para a maioria dos políticos locais que exerceram mandatos nas duas últimas décadas.

Chaga maldita
Dr. José Carlos afirma que “se por um lado, o Poder Judiciário perde um juiz extremamente competente e comprometido com o enfrentamento à corrupção, por outro, creio eu, a ascensão de Sérgio Moro ao Ministério da Justiça reforça a esperança de que estamos avançando no tratamento desta chaga maldita chamada corrupção, que tanto prejudica os cidadãos brasileiros”.

Sucessão na OAB
Advogados mineiros em processo de sucessão da representação classista de sua entidade. Concorrem à direção da seccional mineira 3 chapas em acirrada disputa. A Chapa 1 é encabeçada pelo e atual presidente da Caixa de Assistência dos Advogados Sérgio Murilo Braga, a chapa 2 pelo ex-presidente da OAB mineira, Raimundo Cândido Júnior e a chapa 3 pelo atual tesoureiro da OAB de Minas Gerais, Sérgio Leonardo. Todas as chapas trazem em suas composições representantes de Uberaba.

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