COLUNA DE SEGUNDA - Marco Túlio Oliveira Reis

 – mtoreis@hotmail.com

 

Discurso

A igreja católica no Brasil, neste ano de 2017, através da Campanha da Fraternidade procurou demonstrar preocupação com o meio ambiente apresentando o tema “Biomas Brasileiros e Defesa da Vida”, sustentando o lema “Cultivar e guardar a criação”, ínsito em Gênesis capítulo 2, versículo 15. O próprio Papa Francisco, em sua encíclica Laudato Si, afirma “quando o ambiente humano se degrada, também a natureza se corrompe”. Bonita mensagem, palavras bonitas.

Prática

À princípio tudo dentro da lei. Lamentavelmente informo que, conforme apurei, a pedido do pároco da Catedral Metropolitana de Uberaba, as últimas árvores que viviam na rua Tristão de Castro foram arrancadas pelo sempre diligente e operoso Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. Eram poucas, não nego, saudáveis e destoantes do cenário de poeira e concreto. Viviam pacificamente em frente a imóvel da arquidiocese católica onde funciona uma faculdade que tem como codinome “talentos humanos”.

Prefeitura

A Secretaria do Meio Ambiente, segundo informações recebidas, atendendo apelo do líder católico, por legal e legítima, atendeu a reivindicação e expediu AUTORIZAÇÃO para o massacre dos últimos exemplares que sobreviviam naquele logradouro. Não vi o laudo que por certo deve ter e fundamenta o extermínio. Mas a lei é a lei... e esta foi devidamente interpretada. Os lírios não brotam das leis... creio, nem as árvores.

Ministério Público

Assim que vi os restos das árvores que foram destruídas, DENTRO DA LEI (lei de quem?) pelo Corpo de Bombeiros, que tem por missão preservar e garantir a vida, imediatamente acionei o Ministério Público através do coordenador da Defesa do Meio Ambiente, professor Carlos Valera. O operoso e diligente promotor, mesmo sendo domingo, imediatamente prontificou-se a verificar o ocorrido, e posteriormente relatou-me que todo o procedimento foi autorizado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Alívio

Fiquei aliviado – a lei foi observada, e as árvores destruídas. Precisamos de outras leis. Precisamos de autoridades e lideranças sensíveis. Precisamos praticar os rebuscados discursos que compomos. Precisamos honrar os propósitos sociais. Precisamos reinventar essa nossa República de privilegiados. Precisamos fazer valer a basilar ISONOMIA. Confesso, estou descrente. O episódio me fez descrer ainda mais no ser humano e suas pérfidas e arrogantes instituições.

Campanha da Fraternidade

A Campanha da Fraternidade é organizada pela CNBB desde 1964 e envolve a comunidade católica com diversas ações pastorais, propondo, a cada ano, uma transformação social e comunitária. Começa sempre na Quarta-feira de Cinzas e acontece durante o ano todo. As árvores vitimadas eram Ipês e foram arrancadas no dia consagrado pelos católicos, à padroeira do Brasil.

Opinião

Minha opinião contrária à reeleição de políticos, tomada por alguns como “campanha”, tem repercutido intensamente em redes sociais, angariado simpatia de muitas lideranças e agentes culturais e políticos. Também têm leitores que me questionam sobre a ausência de avaliação sobre o bom e o mau parlamentar. Explico – a insurgência não contra um ou outro – é contra o sistema. Os que detém, ou detiveram mandato, não dever receber o voto do eleitor.

Institucional

O Brasil precisa de reformas. O povo brasileiro quer mudanças, mas quer mudanças de verdade. O País tem que se reinventar. Eu não acredito que parlamentares que mantém uma nação que consagra o privilégio, que enaltece minorias em detrimento do restante da população, que tem por arcabouço jurídico legislação específica para aliviar e beneficiar categorias e membros de poderes da República têm condições ou interesse em aprovar as mudanças profundas que são necessárias.

Mudança já!

Nada pessoal. Proponho a não reeleição porque sei como os poderes da república funcionam ultimamente, porque conheço de perto os parlamentos e os parlamentares. As leis que temos, e suas interpretações costumeiras, não servem à maioria da população. A moralidade, a ética, o sentimento republicano devem ser incorporados ao comportamento e prática dos que detém cargos ou mandatos públicos. E mesmo que observadores da lei, estes senhores a utilizam para a garantia de privilégios e benesses antirrepublicanas. O Brasil precisa mudar!

 Arte

Hélio Siqueira e Paulo Miranda entre os artistas expostos no Centro Cultural UFMG, em Belo Horizonte.  A exposição coletiva “Visualidades e Memória”, aberta no início deste mês de outubro de 2017, reúne obras também dos artistas Domingos Mazzilli, Marcelo AB e Mário Azevedo, com a curadoria de Rodrigo Vivas. A mostra é constituída de esculturas em cerâmica, objetos, oratórios e pinturas, que poderá ser vista até o dia 26 de novembro de 2017. Entrada franca.

 

Marco Túlio Oliveira Reis é advogado, jornalista e professor universitário. Membro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB de Minas Gerais.

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